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Claro, o título do post parece óbvio se você considerar o contexto. Para quem vem de Miami Beach, Fort Lauderdale é um asilo. Há jovens e turistas, sem dúvida, mas é uma cidade de praia de gringo rico mesmo. Cheia de grandes casas, que têm pequenos e médios barcos atracados nos fundos, repleta de grandes apartamentos de frente para o mar, e os senhores e senhoras passeando pela orla. Esse pessoal pode até ter sentido o efeito da crise, mas ainda não precisou vender suas propriedades. É fácil perceber o fenômeno do aumento da expectativa de vida, associado ao fácil acesso a tratamentos de saúde cada vez mais sofisticados, gerando velhinhos com espírito e corpo muito mais jovem. Eles correm, andam, ouvem iPod, conversam com amigos e paqueram como teens. Estamos na era dos velhos jovens.

Pelican Grand Resort

Pelican Grand Resort

Depois de uma verdadeira maratona de transporte público, finalmente faço check-in no humilde hostel de frente para o mar (não fosse o resort atrapalhando a vista) e vou para meu almoço às 7pm. Ai que fome! Se não fosse minha terapia de relaxamento em Bahamas, eu estaria nervosinho, esquentadinho, folgadinho. Mas estava calmo, sereno e tranqüilo. Tem motivo pra stress? Não. Então vamos à caça, beach boy.

O lugar mais próximo é um resort chamado Pelican Grand Resort, chique no úrtimo, de frente para o mar, e com um menu aparentemente caro e um movimento que não me atraiu. Paro, fotografo, e sigo em frente.

Depois de 40 minutos de caminhada, as costas suadas e pouca energia no sangue, encontro o tal restaurante italiano que o Kevin do Hostel havia me indicado. Era o primeiro restaurante que encontrei, sinal que estou no trecho mais residencial da praia.
No caminho vi essa placa dos salva vidas. É tudo tão organizado que eles indicam a condição do mar usando bandeiras, como se fosse uma prova de automobilismo.

Oriente-se pelas bandeiras para saber como está o mar

Oriente-se pelas bandeiras para saber como está o mar

Estou na Ocean Blv, número 900 e pouco, nesse restaurante italiano com meia dúzia de mesas ocupadas por velhinhos gordinhos, cabelos brancos, e suas esposas. A vida parece ser pacata por aqui, e as velhinhas que estão aqui não precisaram cozinhar nesse fim de tarde de sexta-feira. Comi dois mega pedaços de pizza por menos de 8 dólares, com coca cola, e fiquei satisfeito. Pela comida e pelo preço. Em Miami Beach isso não sairia por menos de U$ 12.

Depois da deliciosa pizza, atravessei a rua e deitei em uma confortável cadeira reclinável gratuita (à noite é grátis) na praia, e contemplei a lua quase cheia. Um calor danado de bom, e uma brisa que refresca e não te deixa ficar suado. Temos 27 graus Celsius aproximadante. Aproveito para ligar para todo mundo que tem telefone americano, já que tenho infinitos minutos até a meia noite, nesse plano de U$ 3 por dia. Combino os detalhes do aeroporto pra amanhã com a Ana Paula, converso com os amigos e amigas que fiz em Miami Beach, falo com a família no Brasil – 4 minutos não custam nem U$ 1.00, portanto vale a pena. Estou quase indo embora, quando ouço do outro lado da rua um violão “djim djim djim” pra lá, “djim djim djim” pra cá… mi menor, dó, ré… básico mesmo.

É um Irish Pub.

Irish Pub em Fort Lauderdale

Irish Pub em Fort Lauderdale, com um clima meio caipira, meio esportista

O cara não toca bem, mas tem a vantagem de ter alguma afinação, e saber falar bem o inglês, e seu show de covers fica bem parecido com as originais do Oasis, e outras enlatadas que ele tocou. Gorei tanto o cara que o violão desafinou. Quase falei pra ele “a segunda corda, o si, caiu quase meio tom, cara”. Mas me calei. Pra que toda essa arrogância, caro paulista metidão? Deixa o cara e relaxa com sua cervejinha aí. Mas eu sabia que era só isso. Só uma corda desafinada. Uma puxadinha no sizinho, e pronto. Levaria 2 segundos pra resolver. E não é que o cara saca um afinador eletrônico pra afinar uma mísera corda? Nessas horas eu penso seriamente que poderia ganhar a vida com música, fazendo tudo de forma simples, prática e fácil e com um payback muito maior. Acho que pensei tanto nisso que gorei ainda mais o cara, e o sizinho que ele acabou de afinar, quebrou! Ri por dentro só de pensar que o cara deve ter errado na hora de usar o afinador, e esticou demais e quebrou a corda.
Enquanto eu me divertia com a desgraça alheia, o jogo de baseball estava interessante. O simpático pubzinho tem quase 10 LCDs mostrando diferentes esportes. Até quem está sozinho consegue arrumar algo pra fazer. Se o Emiliano (italiano que conheci em MB) estivesse aqui com certeza iria urubuzar as duas meninas magrinhas lá do fundo. Shark Emiliano, como os próprios amigos dele o apelidaram. Não perdoa nem tiazona casada com filho. Acredita que ele perguntou pra uma tiazona “where is the naked girls beach, with toplesses”? É um cara de pau mesmo. Mas isso é outra história.

A foto não ficou boa, pois eu fiz rapidinho, sem chamar atenção da galerinha que estava curtindo o som, assistindo ao baseball e conversando com amigos curtindo suas Bud´s e Heineken´s. O Pub tinha também jogo de dardo, uma cesta de basquete (estilo playland), jogos eletrônicos de caça com rifle, meio cowboy e meio esportista. Nada aqui, exceto o calor, lembra aquela “horny city” chamada Miami Beach.